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Capivari – História e patrimônio

Escrito por Jehoval Junior.

 

Assim nasce um povoado

A região onde, hoje, está Capivari, recebeu seus primeiros visitantes no início do século XVIII. Em 1718, com a descoberta de ricas jazidas de ouro, nas cercanias de Cuiabá – período este em que um grande número de aventureiros passou por ela para abreviar o caminho até Mato Grosso –, em busca do metal precioso. Essas viagens aconteceram por via fluvial, pois a mata não oferecia condições favoráveis. Os aventureiros enfrentavam grandes perigos, fome e lutas ao longo do caminho.

Uma dessas expedições saiu de Porto Feliz, por ordem do marquês de Pombal e sob o comando do capitão general Morgado de Mateus, mas foi dizimada em grande parte pelos índios.

Por ser de difícil acesso, o lugar também foi escolhido pelos governadores das capitanias hereditárias para isolarem seus inimigos políticos. Longe dos centros urbanos, essas pessoas sentiram a necessidade de procurar uma maneira de se proteger das perseguições. E para isso, passaram a montar acampamentos às margens do rio, buscando assim, locais com bom clima, topografia e águas favoráveis à sobrevivência. No final do século XVIII, um grupo de ituanos encontrou um local com essas características e decidiu se estabelecer ali.

Assim começa a história da “Terra dos Poetas”.

Em 1785, instala-se a primeira venda às margens do rio, conhecida como “Venda do Chico”, pedido feito à Câmara de Itu por Francisco Idorgo. Este fato também atrai muitos moradores ao longo dos tempos com a vontade de crescimento em novas terras.

No ano de 1790, o povoado aparece nos censos realizados por Itu com uma população flutuante. Na maioria, trabalhadores de empreiteiras que executavam serviços e se mudavam no final das obras.

Já em 1800, às margens do lendário “Rio das Capivaras” floresce uma pequena população que mais tarde passa a se chamar Capivari.

 

Brava gente brasileira

A partir de 1800, a pequena povoação foi ganhando novos moradores atraídos pelos comentários e deslumbramentos com o local. Às margens de um rio cristalino em que predominavam, em abundância, capivara, teve origem, por iniciativa do cônego João Ferreira de Oliveira Bueno,1 em 1813. Ele encaminhou um requerimento para criação de um povoado, nos sertões de Itu, distante das igrejas de Itu, Porto Feliz e Piracicaba. A Freguesia deveria ser criada sob a invocação de São João Batista.

Em junho de 1820, o pequeno povoado formado por um bom número de casinhas e uma pequena capela esperava ansiosa pelo seu primeiro sacerdote, o padre João Jacinto dos Serafins (nomeado capelão pelo bispo de São Paulo).

Ele chegou no final de julho após longa viagem a cavalo, vindo pelo caminho de Itu. Jacinto encontrou algumas casas espalhadas onde hoje são as ruas Antônio Pires e XV de Novembro. A capela estava ainda por terminar e no início o padre utilizou provisoriamente a casa de Joaquim da Costa Garcia.

Na missa de inauguração do dia 11 de agosto de 1820, estavam presentes os primeiros povoadores de Capivari: Antônio Pires de Almeida Moura, Joaquim da Costa Garcia, Manoel José de Almeida Leme, José Machado, Antônio José Fiúza, Manoel José do Amaral, Manoela José Vaz Botelho, entre outros.

No pátio da capela, algumas cruzes indicavam que ali havia sido sepultados escravos e moradores do povoado. Ainda durou por muito tempo o hábito de se enterrar os escravos no pátio da capela e os demais paroquianos no seu interior. Somente os grandes fazendeiros eram levados para Itu e Porto Feliz para serem enterrados como de costume.

Nessa época, o prédio não possuía torre e o sino, para a convocação dos fiéis, ficava em uma grande figueira ao lado. O santo padroeiro escolhido para a bênção da Vila, foi São João Batista.2

A alegria dos moradores é a paixão por festas – principalmente as religiosas – atrai inúmeras pessoas ao longo dos anos. Próximo à capela de “São João Baptista de Capivary” (construção de taipa socada, constituída por um cômodo retangular, com um altar de madeira ao fundo), ficava a “Venda do Chico”, a única em Capivari. Ela se torna um centro irradiador de construções e edificações no povoado. Cada vez mais pessoas – atraídas pelas vantagens da terra – chegam ao lugar.

Em 11 de outubro de 1826, a Capela é elevada à Freguesia de São João Baptista de Capivary, através de Decreto emitido pelo imperador D. Pedro I. Nesse período o vigário é Inácio Francisco de Morais.

1 O cônego João Ferreira nasceu em Santos, em 10 de agosto de 1749, filho do sargento-mor João Ferreira de Oliveira e de Dona Maria Bueno da Conceição. Foi elevado a cônego e nomeado tesoureiro-mor da Sé - catedral de São Paulo -, desfrutando de largo prestígio na província. Adquiriu em 1793, nas terras do sertão Capivari – Piracicaba, uma grande sesmaria próxima ao ribeirão Itapeva e aí implantou importante engenho de açúcar com mais de 100 escravos africanos. Ferreira foi o grande responsável pela criação da Freguesia do São João Batista de Capivari, além de envolver-se em campanhas da Independência. Morreu em 6 de maio de 1830, sendo sepultado na catedral da Sé, em São Paulo.

2 Filho de Zacarias e Isabel, João Batista era assim chamado por ter batizado Jesus nas águas do rio Jordão, dando a Jesus Cristo o título de “Cordeiro de Deus”. Foi decapitado no ano 31 da era cristã por determinação de Herodes a pedido de Erodíades, servindo-se de Salomé com requebros sensuais. João Batista forma com os santos Antônio e Pedro, o trio de Santos Juninos, sendo celebrada sua festa no dia de seu nascimento: 24 de junho.

 

Os primeiros povoadores

Antônio Pires de Almeida Moura: nascido em Sorocaba, mas criado em Itu, foi responsável por mais de 40 anos de intenso trabalho pelo município. Ele era primo-irmão do venerável padre Bento, o santo protetor dos leprosos. Transferindo-se de Itu para Capivari, quando nascia o povoado, construiu na primitiva rua que se esboçava a sua casa, colaborou na construção da primeira igreja, conseguiu da Câmara de Itu, em 1825, o Alto de Arruamento da Vila, participou da instalação da Freguesia, em 1827, foi figura de grande importância na campanha de criação do Município, foi eleito em setembro de 1832, para a primeira Câmara Municipal, cuja presidência exerceu por falecimento de Martim Taques, e construiu a igreja matriz em 1851 e iniciou a construção do seu solar, na esquina das ruas Fernando de Barros e Tiradentes (terminada pelo barão de Almeida Lima), quando morreu em 1852, vítima de uma infecção tetânica numa das mãos. De seu casamento com Gertrudes de Araújo Campos deixou: Joaquim Pires de Arruda Gavião, Antônio Pires de Araújo, Francisco Xavier de Almeida Pires (foi político em Botucatu), Ana Pires (que foi casada com José Francisco Vaz do Amaral), Raimundo Pires de Almeida Moura e Escolástica Maria de Almeida Pires (casada com João de Campos Camargo).

João Dias de Aguiar: de Porto Feliz, filho do capitão André de Aguiar e Dona Genoveva Luz Cardoso. Neto paterno de João Rodrigues de Aguiar e Maria Teresa de Almeida; neto materno de José de Toledo Piza e Izabel da Luz Cardoso. Foi casado com Gertrudes de Almeida Lima.

Capitão Manoel José Vaz Botelho: de Porto Feliz, filho de José de Arruda Penteado e Isabel Maria Paes. Casado com Maria Amaral Gurgel, deixou desse matrimônio Manoel, Antônio e Maria. Em segundas núpcias, com Maria do Amaral (irmã da primeira esposa), teve Gertrudes casada com Manoel de Campos Camargo; Isabel, casada com José de Arruda; Maria, casada com João Vaz de Arruda Amaral; Maria, casada com Luciano Francisco Pacheco; Francisco Vaz de Arruda Amaral, José Manoel e Joaquim Vaz de Arruda Amaral. Deixou um filho natural – Constantino de Arruda Campos.

João da Cruz Leite: de Porto Feliz, filho do sargento-mor Antônio José de Almeida Leite e Teodora Leite Martins. Foi casado com Teodora Leite de Almeida Camargo e deixou: Ana, casada com Salvador Martins Bonilha; Teodora, casada com Antônio Martins Bonilha; Gertrudes, casada com o major Inácio de Camargo Penteado; Maria, casada com Teodoro Leite de Almeida; José da Cruz Leite; Francisco Antônio Martins e Antônio José de Almeida Leite.

Martim de Melo Taques: de Itu, filho do capitão-mor, Vicente da Costa Taques Góes e Aranha. Casado com Ana Francisca de Araújo, deixou: Martim de Melo Taques, que abandonou o lar paterno para se alistar na Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul; João Miguel de Melo Taques, José, Elias, Manoel e Ana de Melo Taques. Faleceu repentinamente, em 11 de setembro de 1834, quando era presidente da primeira Câmara Municipal de Capivari.

Saturnino de Brito Paes Leite: de Porto Feliz, filho de Saturnino Paes de Almeida Leite e Francisca de Arruda. Casou-se com Ana Euquéria de Campos. Filhos: Tibúrcio, Delfino e Evaristo.

Antônio José de Sousa: Casado com Genoveva Dias de Aguiar Sousa. Filhos: Rita de Sousa Nogueira, casada com Fernando Augusto Nogueira; Gertrudes de Sousa Melo, casada com Antônio Aristides do Amaral Melo; Maria de Sousa Pacheco, casada com José Correa Pacheco e Silva; Elisa de Aguiar Sousa, casada com Carlos Augusto de Sousa; Antônio José de Sousa, Osório de Sousa; Otília, Lívia, Adelaide, Genoveva, Angelina, Alice e Sílvia de Sousa.

Luiz Teixeira de Assumpção: Casado com Maria Ursolina Dias de Assumpção. Filhos: Maria Cecília Ursolina (Sinhazinha), Otávio, Alarico e Dr. André de Toledo Assumpção.

Luciano Dias Pacheco: Filho de Bento Dias Pacheco e Maria Euqueria de Campos Pacheco. De seu primeiro casamento com Maria Lavínia de Assumpção deixou: Bento, Luciano e Isabel. Do segundo casamento com Maria Carolina do Amaral, os filhos: Bento, Maria, José e Isabel.

Fernando Paes de Barros: de Itu, filho de José de Barros Penteado e Maria Dias Leite, foi casado com Maria Jorge de Barros e deixou Maria, Ana, José, Gertrudes, Fernando, Francisco, Alexandre, Isabel, Bento, Antônio e Joaquim Paes de Barros. Seus filhos juntaram o Fernando aos seus nomes – Francisco Fernando, Antônio Fernando, e assim por diante. Foi o primeiro prefeito de Capivari, quando este cargo provisoriamente existiu, em 1835. Homem enérgico e esclarecido, foi um dos mais ilustres capivarianos da primeira fase da vida municipal.

Gertrudes de Araújo Campos: de Itu, viúva de Antônio Pires de Almeida Moura, era filha do capitão Vicente do Amaral Campos e sua primeira esposa Helena Maria de Sousa. Dona Gertrudes faleceu em 9 de junho de 1861. Era irmã de Vicente de Campos Gurgel, casado com Maria Gertrudes Ferraz pais de Ana, Vicente, Francisco, João, José, Helena, Cândido, Maria, Manoel, Benjamin e Gertrudes Joanico.

José Manoel Fiúza (Jeca Fiúza): casado com Umbelina de Arruda deixou: Manoel de Pádua Melo, José Fiúza de Melo, Gabrielina de Arruda Melo, casada com Francisco Boaventura do Amaral; Antônio José de Melo a esse tempo – 1869 – integrou as forças brasileiras no Paraguai; e Ana Fiúza de Melo.

Felipe de Campos e Almeida: casado com Andreza Pacheco de Arruda filha de Guilherme Vaz Pinto e Bárbara Dias Leite. Filhos: Bárbara Dias Leite, casada com Joaquim Pires, Camilo de Campos e Almeida, Estanislau de Campos e Arruda, Joaquim Pinto de Almeida, José Vaz Pinto, João Pinto Ribeiro, Ana Pacheco de Arruda, casada com Estanislau de Campos Pacheco, Antônia Pacheco de Arruda e Mariana Leme da Silva.

Daniel de Campos Camargo: de Itu, casado com Isabel de Arruda Campos, filha do sargento-mor, Felipe de Campos Bicudo e Gertrudes Leite de Sampaio. Filhos: José de Campos Camargo, Ana, casada com Antônio do Amaral; Gertrudes casada com José Ferraz de Camargo, Maria, casada com José do Amaral Gurgel; Francisca, casada com Antônio Pires de Araújo; Eufrozina, casada com Josué de Pádua Castanho; Antônio Daniel de Campos, Estanislau de Campos Camargo e João de Campos Camargo, casado com Escolástica Marisa de Almeida Pires, última filha de Antônio Pires de Almeida Moura.

Estanislau de Campos Pacheco: de Itu, filho do Alferes Luciano Francisco Pacheco e Ana Gertrudes de Campos Pacheco. Filhos: Luciano Francisco Pacheco, Francisco de Almeida Pacheco, Ana Gertrudes de Arruda, casada com Elias Antônio Pacheco; Maria, casada com Antônio de Campos Pacheco; e Antônia de Arruda Pacheco, casada com Luciano de Moura Pacheco.

Salvador Martins Bonilha: casado com Ana de Toledo Piza. Filho: Salvador Martins Bonilha, casado com Maria Isabel de Almeida; e os descendentes desse casal: Salvador Francisco, Antônio, Ana, Maria e Branca Martins Bonilha.

 

De freguesia à Vila

Por alvará de 10 de julho de 1832, é oficialmente denominada Vila de “São João Baptista de Capivary de Baixo” (Capivari de Cima era a atual Monte Mor). Assim tem início o desenvolvimento econômico do povoado. Predominam o açúcar, os cereais, o chá, o algodão e o café que contribuem para a proliferação das fazendas.

A elevação da Freguesia à Vila, atrai ainda mais moradores, exigindo, assim, melhorias na infra-estrutura local. A população da Vila:

  • População branca: 838 homens e 724 mulheres (total: 1.562);
  • População escrava: 464 homens e 163 mulheres [negros naturais do país] (total: 627)
  • Negros africanos: 1.713 homens e 492 mulheres (total: 2.205)
  • Pardos: 15 homens e 11 mulheres (total: 26)
  • Negros libertos: 34 homens e 65 mulheres (total: 99)
  • Negros livres: 02 homens e 04 mulheres (total: 06)
  • Índios: 1 casal
  • População total: 4.526
  • Casas: 133

As vias principais são: Rua do Comércio (saída para Porto Feliz - hoje XV de Novembro) e Bento Dias (saída para Monte Mor). Não existe cemitério e os mortos são enterrados na igreja. Por essa época, começa a funcionar a primeira escola “Emulação”, na casa que foi do Padre Fabiano, na rua do mesmo nome, esquina com a Tiradentes.

 

A primeira Câmara

A primeira Câmara de Capivari, começa a funcionar em 25 de julho de 1833, eleita no ano anterior, em 7 de setembro. Com a efetiva instalação do Município, Capivari, desliga-se de Porto Feliz. Os homens formados eram dois: o padre e o cirurgião. A vila possuía também, 8 negociantes e 12 jornaleiros, quatro estrangeiros, sendo dois naturalizados. Era juiz de paz, o senhor Felisberto da Costa Guimarães.

Os vereadores foram nomeados pelo Decreto do regente Campos Vergueiro, com mandato previsto para três anos. O responsável pelo município, considerado o primeiro prefeito, foi o tenente Fernando Paes de Barros, nomeado pelo presidente da Província de São Paulo. Martim de Melo Taques foi o primeiro presidente da Câmara de Capivari.

Composição da primeira Câmara: Joaquim Correia Leite, Martim de Melo Taques, Antônio Pires de Almeida Moura, João Dias de Aguiar, Saturnino Paes, José Ferraz de Arruda, Manuel Ferraz de Sampaio e Felipe de Campos Bicudo.

Havia na vila de Capivari, uma Companhia de Infantaria da Guarda Nacional, e 50 praças da cavalaria desarmados.

Em agosto de 1833, foi criada uma linha de correio ligando Capivari a São Paulo, via Porto Feliz sob o comando do encarregado nomeado Antônio Correia Leite.

O único professor era um alfaiate que dava aulas de primeiras letras e ensinava música. Tinha 18 alunos (desses, quatro do sexo feminino). Havia na vila mais de 100 crianças em idade escolar. O problema da falta de vagas foi oficiado pela Câmara ao governo da Província, ressaltando o problema e a necessidade de uma resolução que só pôde ser atendida no início do ano seguinte, com a nomeação do professor José Custódio de Assunção.

Em 1835, acontecem as primeiras atitudes municipais estabelecidas por lei de 26 de agosto de 1835. A segunda Câmara foi eleita em 1835 sendo criada a Cadeia Pública em baixo e a Casa da Câmara em cima.

 

O café, o açúcar e a política

Em 1836, aparece o café na região, primeiramente em Itu e Jundiaí.

Escala de produção:

  • Itu: 1.052 arrobas de café
  • Porto Feliz: 990 arrobas de café
  • Capivari: 310 arrobas de café

No oeste e sul paulista, o açúcar superava o café. Itu, Piracicaba, Porto Feliz e Capivari forneciam juntas, a metade do açúcar exportado pelo porto de Santos.

O município, em 1836, contava com 3.437 habitantes e tinha 52 engenhos produzindo 52.193 arrobas de açúcar e 490 canadas de aguardente.

No ano de 1837, o açúcar era a principal cultura, alavancando o comércio nas vilas ao ocidente da capital, Jundiaí, São Carlos, Itu, Porto Feliz, Capivari, Sorocaba e Piracicaba.

A terceira Câmara Municipal foi eleita em 7 de setembro de 1837. Assim, a construção da ponte – então considerada nova - sobre o rio Capivari (na XV de Novembro) seguiu de 1838 a 1840. Ela contava com 400 palmos de comprimento por 25 de largura.

Em 1839, foi nomeado vigário, o padre Fabiano José Moreira de Camargo, que mais tarde se tornaria chefe político da cidade e região e deputado provincial.

Em 6 de agosto de 1840, o presidente da Província, Rafael Tobias de Aguiar, comunica à Câmara a maioridade de D. Pedro II e sua ascensão ao trono. Já em 7 de setembro foram eleitos os novos vereadores. Compareceram à votação, 143 eleitores.

A população da vila continua sem iluminação nas ruas e com estragos devido aos buracos causados pelas chuvas, as ruas ficam intransitáveis.

 

D Pedro II visita Capivari

Um fato histórico e significativo para Capivari foi a visita do imperador e da imperatriz dona Teresa Cristina, à cidade em 22 de setembro de 1878.

Assim que o imperador D. Pedro II chegou à Estação de Capivari já o aguardavam uma comitiva para conduzi-lo juntamente com sua esposa, em um trole (carro antigo de duas rodas, para transporte de pessoas, puxado por animais) a frente da igreja matriz onde esperavam diversos populares e autoridades para a realização da cerimônia oficial.

Ainda na estação ferroviária, muitas pessoas animavam as festividades. As manifestações de carinho ficavam evidenciadas nos olhos da população presente. Dentre todas as demonstrações de afeto ao imperador uma foi surpreendentemente inesquecível:

Ao ser conduzido em direção ao trole, ainda na estação, um morador da cidade vendo que o imperador iria pisar no chão para subir ao veículo, subitamente tirou seu paletó e ajoelhou-se, estendendo a roupa para que D. Pedro II pisasse antes de subir à carruagem, fato este que deixou o imperador muito emocionado.

O município foi preparado para a recepção com enfeites de flores, folhagens e muitos foguetes. A cidade recebeu limpeza para receber a comitiva imperial.

D. Pedro II e sua esposa, após receberem homenagens no largo da matriz, retiraram-se para descanso e almoço na casa do major Bernardino (Casa Tombada como Monumento Histórico Paulista e que fica próxima a Igreja matriz).

Os monarcas visitaram também em Capivari, as escolas dos professores Serafim e Luis de Freitas (masculinas) e das professoras Dona Fausta Isabel de Góis e de Maria do Carmo Maciel (femininas). Além de uma visita à Loja Maçônica Integridade (também próxima à matriz) tendo presidido a reunião. A cadeira em que se sentou ainda existe conservada na sede da Loja Integridade em Capivari.

 

A Igreja Matriz

Ela está no mesmo local onde ficava a capela do início do povoado. Sua construção (da capela) se deu entre os anos 1818 e 1820. Esse período é anterior ao “Plano de Arruamento”, por isso o prédio está na posição atual, ou seja, de lado no lote.

A “Igreja Matriz de São João Batista de Capivari” deveria ter sido construída em outro lugar, onde atualmente estão as praças Rodrigues de Abreu e dr. Cesário Motta, que seriam o “Jardim Público” dela (isso segundo o Plano de Arruamento). Contudo ela foi iniciada, mas o dinheiro não foi suficiente para continuar e a obra ficou abandonada até ser totalmente demolida, anos mais tarde.

Em 1839, quando esteve à frente da paróquia, o padre Fabiano, recebeu, em 19 de junho (dois meses após sua posse) a visita pastoral do monsenhor Antônio de Carvalho Pinto (vigário da vara), que ficou muito impressionado com a rústica capela de pau a pique. Ele recomendou ao recente pároco, que fizesse uma reconstrução digna do povoado em formação.

O pedido do monsenhor não pôde ser atendido de imediato devido a existência de túmulos recentes de escravos, em ambos os lados da edificação. Contudo, no ano de 1842, começaram as primeiras providências para que as obras começassem, de modo que o antigo prédio fosse conservado para as missas. Ele ficou funcionando como “Capela-Mor”, sendo erguidas monumentais paredes de taipas, formando dois corredores internos ladeando-a.

Após alguns anos da posse do padre Fabiano, Antônio Pires de Almeida Moura (um dos primeiros moradores do povoado e um dos responsáveis pelo “Plano de Arruamento”), assumiu a reedificação da antiga igreja, designado pelo presidente da Província. Grande parte das obras foi custeada pelo próprio Antônio Pires, encorajando a pequena comunidade, em 1851, para que unissem forças para a conclusão dos trabalhos.

Nesse período, não se construiu a torre e a cobertura foi feita em um domingo após o fim da missa, pedido feito por Antônio Pires no altar, aos fiéis. Ele foi prontamente atendido e o telhado estava totalmente posto antes do anoitecer.

Em 1851, já eram celebradas missas na Igreja Matriz, graças a muitas pessoas da comunidade e também através de loterias em postos para angariar fundos para a reedificação dela.

No ano de 1882, a igreja ainda estava em reformas, tendo como encarregado da pintura os senhores Benére e Leonci Murlani (artistas que faziam decorações para residências e responsáveis pela pintura do “Teatro São João”).

Já em 1898, ela foi citada na obra de dr. Moreira Pinto, no livro intitulado “Viagens pela Ituana”, descrevendo seus aspectos estruturais, como a torre no centro com relógio e 10 estátuas de anjos em tamanho natural.

Dois anos depois, quando o padre Manoel José Marques (10º vigário dessa paróquia) assumiu a igreja de São João Batista, empreendeu uma grande reforma que durou de 1890 a 1907.

Ela foi ampliada até a rua Regente Feijó, suas paredes externas (taipa de um metro) foram revestidas de tijolos em ambos os lados. As paredes internas foram removidas e substituídas por colunas. O forro e os medalhões receberam pintura com cenas da história da igreja e quadros de santos. Entre, 1911 e 1912, um tufão destelhou-a e em abril de 1929 termina sua reforma externa.

A igreja ostenta um altar de mármore de carrara de 1942 e guarda em seu solo sagrado o corpo do padre Fabiano, sepultado em 12 de fevereiro de 1875.

Passados mais de 150 anos desde o início de sua edificação, ela continua sendo uma das mais belas construções do Estado. Sua “majestosa” estrutura arquitetônica e pinturas internas foram restauradas pelo artista Nori Figueiredo, que encerrou seus trabalhos após muitos anos de atividade.

Os 15 primeiros sacerdotes da Igreja de São João Batista no período de 1820 a 1927:

  • 1º padre: João Jacinto dos Serafins – primeiro capelão permanecendo durante cinco anos como vigário de Capivari. Foi nomeado no dia 5 de junho de 1820, chegou à cidade em 27 de julho e como não encontrou a capela pronta, iniciou os cultos religiosos na casa de Joaquim da Costa Garcia, na Rua da Praia (hoje, Antônio Pires). A capela foi inaugurada no dia 11 de agosto de 1820. O padre Serafins morreu em São Paulo, no dia 15 de junho de 1828, com 50 anos de idade.
      
  • 2º padre: Inácio Francisco de Moraes – ficou breve tempo na direção da paróquia, em 1826.
      
  • 3º padre: Melquior de Pontes e Amaral – foi vigário de 1827 a 1828. Era cunhado do capitão-mor Manoel José Vaz Botelho e teve atuação na política partidária que se fazia presente na povoação.
      
  • 4º padre: Antônio Luiz Penalva – de 1829 a 1836. Colaborou no arruamento do povoado, auxiliando a administração a fazer cumprir o disposto no “Auto de Arruamento”. Por essa razão foi apelidado de “padre Arruador”.
      
  • 5º padre: Melquior de Pontes e Amaral – reassumiu o cargo em um momento de grande turbulência política, consequência da morte de Martim de Melo Taques.
      
  • 6º padre: Fabiano José Moreira de Camargo – de 1839 a 1875. Foi o mais admirado sacerdote da vida paroquial de Capivari. Durante 36 anos comandou a matriz de São João Batista. Era natural de Sorocaba, nascido em 4 de junho de 1807. Ordenado na Quinta Episcopal de Santo Antônio por D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade, aos 21 de dezembro de 1832. No período de 1831 a 1832, manteve na cidade, na Rua da Paciência (hoje, Tiradentes) uma escola de primeiras letras. Foi um grande chefe do Partido Liberal, elegendo-se em 1864 a deputado Provincial. Ele é o autor da lei que elevou Capivari à categoria de cidade, em 22 de abril de 1864. Promoveu a construção do Cemitério Municipal, inaugurado em 1852 – trata-se do antigo cemitério, que existiu no local onde, hoje, está a E.E. (Escola Estadual) Padre Fabiano José Moreira de Camargo. Auxiliou a reconstrução da Igreja Matriz realizada por Antônio Pires. Foi médico e boticário, trabalhando gratuitamente para diminuir a pobreza. Foi orador fluente convocado para pregar nas solenidades da Semana Santa, da capital da Província. Ele, hoje, dá nome para rua no Município e a uma escola. Morreu em 11 de fevereiro de 1875 e foi sepultado na igreja de São João Batista (Capivari). De 1871 a 1875, devido a seu estado de saúde, teve como auxiliares os padres José Isidoro Rodrigues, João Lopes Rodrigues e Domingos Lourenço de Luna. Foi durante seu período como pároco que o papa Pio IX decretou o dogma da Imaculada Conceição e promoveu o XX Concílio Ecumênico, importantes para a vida da Igreja Católica.
      
  • 7º padre: Domingos Lourenço de Luna – 1875 a 1881. Foi durante o período em que exerceu o comando da paróquia, que os imperadores D. Pedro II e Dona Teresa Cristina visitaram Capivari.
      
  • 8º padre: Haroldo de Tracy Prado de Camargo Dauntre – 1882 a 1886. O padre Haroldo, de família campineira foi um sacerdote que caiu na simpatia dos fiéis, com sua alegria, descontração, amigo de tudo e de todos, ao contrário dos costumes de seu tempo, mantinha laços de amizade com capivarianos de outras religiões pelo que a cidade inteira o respeitava e o estimava. Presidiu o lançamento da primeira pedra do Mercado Municipal e da capela de Santa Cruz, integrou o corpo docente dos colégios até que a morte lhe veio inesperadamente, a 20 de novembro de 1886. Faleceu em Campinas, surpreendendo a todos com sua morte repentina. A Câmara Municipal, em sua homenagem, deu-lhe o nome de uma das ruas da povoação.
      
  • 9º cônego: Antônio Moreira de Souza de Almeida – 1887 a 1889. Tomou posse no dia 13 de fevereiro de 1887 e foi um articulador que empreendeu melhorias no aspecto interno da igreja, como: o grande lustre de cristal, de nove luzes, oferecido por dona Adelina Motta, esposa do dr. Cesário Motta Júnior e os quatro lustres menores de seis luzes, oferecidos por Alexandre Leite de Almeida Barros. O cônego Almeida foi o último vigário da monarquia, durante a qual se manteve o regime de união da igreja com o Estado.
      
  • 10º padre: Manoel José Marques – de 1890 a 1907. Natural de Guaratinguetá, amigo do conselheiro Rodrigues Alves, ele foi, depois do padre Fabiano, o sacerdote que por mais tempo permaneceu em Capivari. Por motivos políticos foi afastado da paróquia pelo Partido Jagunço, em 1907, só retornando em 1919, quando morreu. Foi responsável pela remodelação da matriz, que a transformou num dos mais belos templos da diocese. Como presidente da Câmara Municipal, cooperou com o intendente Francisco Mader na implantação do serviço de água encanada e na iluminação a gás de acetileno do Jardim Público. Participou da fundação da corporação musical “Recreio dos Artistas” e organizou associações na comunidade dando um novo sentido ao culto católico. Associações nas quais foi responsável: Associação do Sagrado Coração de Jesus, do Sagrado Coração de Maria, Irmandade do Santíssimo, Irmandade de São Benedito. O largo da matriz, na administração do prefeito Rosário Capóssoli, recebeu o nome do padre como homenagem.
      
  • 11º padre: Alarico de Souza Zacharias – de 1908 a 1913. Era contrário à posição política de padre Marques, e uma das pessoas atuantes no Partido Jagunço. Por isso, criou diferenças com a maioria da população católica da cidade. Ele é lembrado pelo historiador de Bananal (SP) – onde Alarico foi vigário –, Agostinho Ramos. Este descreve que o padre tinha, naquela cidade do Vale do Paraíba, o mesmo comportamento apresentado, em Capivari Teve postura idêntica, em Araras, para onde foi posteriormente removido. Um de seus atos, que a comunidade mais lamentou foi a redução da matriz, modificando o plano de obras traçado pelo padre Marques. Isso foi resultado da falta de recursos que teve devido à “desastrosa” ação política em que se envolveu na cidade.
      
  • 12º cônego: Samuel de Oliveira Fragoso – de 1913 a 1919. Foi um dos grandes nomes que apoiou o mais antigo e importante estabelecimento hospitalar de Capivari, a Santa Casa de Misericórdia. O cônego Fragoso, ao lado do dr. João Stein, enfrentou momentos difíceis por ocasião da gripe espanhola de 1918, socorrendo os enfermos e ajudando os que necessitavam. Seu trabalho reavivou a vida religiosa, ativando também o convívio social e artístico da Cidade. O seu nome foi atribuído ao largo da Santa Cruz pelos serviços que prestou.
      
  • 13º cônego: João Loschi – de 1919 a 1920. A exemplo do padre Inácio Francisco de Moraes, de 1826, foi também breve em sua permanência como vigário de Capivari.
      
  • 14º cônego: Oscar Sampaio Peixoto – de 1920 a 1923. Orador brilhante, participou ativamente da campanha eleitoral de Amadeu Amaral. Promoveu uma notável ação missionária de sacerdotes alemães e realizou imponentes comemorações de passagem do centenário da Independência.
      
  • 15º cônego: Moisés de Nora – de 1923 a 1927. Sacerdote de grande energia, revolucionou a juventude capivariana, congregando em grande número, a recente reconstituição da “União dos Moços Católicos”. Auxiliou a imprensa local, reabriu a escola dos atiradores “603” e fundou a Corporação Musical “U.M.C.”.

 

 Casa do Barão de Almeida Lima

Sua construção foi iniciada por iniciativa de um dos principais fundadores da cidade, Antônio Pires de Almeida Moura, neto do capitão-mor de Sorocaba, José de Almeida Leme.

Os trabalhos começaram em 1842, mas devido as suas responsabilidades com as produções das fazendas, as melhorias estruturais do povoado e a responsabilidade pela edificação da igreja, Antônio Pires foi adiando a conclusão ao longo dos tempos.

A obra seria o seu novo solar, mas devido a sua morte em 1852, a viúva vendeu a construção – na fase de colocação do telhado – ao major Manoel Bernardino de Almeida Lima (nascido em Porto Feliz, em 5 de fevereiro de 1808. Foi um importante fazendeiro em Capivari. Mais tarde, em 1886 barão de Almeida Lima, título a ele concedido pelo imperador D. Pedro II por ter colaborado com a Vila, no ano de 1884 doando o edifício do “Coleginho” ).

O grande edifício de taipa pilada, de quatro águas, com 12 janelas para a Rua Fernando de Barros e seis para a praça padre Marques, possui também jardim, quintal, porão alto, entrada lateral e ostenta no portão de entrada, dois leões de terracota, de 1837.

Em 1878, foi o edifício mais importante da cidade: recebeu D. Pedro II e Dona Teresa Cristina, durante a terceira visita deles à Província de São Paulo.

Após o falecimento do barão – possuidor de inúmeras propriedades e sem filhos –, o único herdeiro universal, um sobrinho dele, alugou o prédio de 1910 a 1932 a Luiz Corazza, que transformou o edifício em um hotel chamado “Hotel Corazza”.

Localizada na Rua Tiradentes, 366, Centro, a casa foi tombada em 1975 pela Condephaat e é, ainda, um dos mais belos prédios da cidade.

 

Praça Rodrigues de Abreu e Praça Dr. Cesário Motta

Nelas estão as hermas de Rodrigues de Abreu (por Tarsila do Amaral), Amadeu Amaral (Victor Brecheret) e de Tarsila do Amaral (Pandolfo).

     

     

          

 

Santa Casa de Misericórdia

Fundada em 2 de janeiro de 1898, teve sua construção iniciada no mesmo ano, com o lançamento da pedra fundamental no dia 15 de agosto.

Foi inaugurada no dia 3 de junho de 1900 com capacidade para 24 leitos, duas enfermarias e cozinha.

Sofreu várias reformas e acréscimos ao longo dos anos:

  • Em 1917 foram construídos dois amplos salões destinados aos idosos;
  • Em 1925, foi construída a sala de operações e a capela;
  • Em 1929, foi inaugurado o Pavilhão Sinharinha Frota;
  • Em 1934, com dinheiro da campanha de ouro da Revolução Constitucionalista, foram reformadas as instalações da cozinha;
  • Em 1945, foi edificado o Pavilhão novo e instalado o primeiro aparelho de raio-X;
  • Em 24 de março de 1954, é iniciada a construção da Maternidade Carmela Dutra, cuja inauguração oficial ocorreu em 2 de junho de 1957.

  

Rio Capivari

rio capivariUm caminho de água trazendo possibilidades de vida serpenteia a terra sadia. É o rio Capivari, um ponto de referência importante, desde a formação do povoado até hoje.

O rio Capivari tem sua nascente na cidade de Jundiaí (estado de São Paulo), numa fazenda de propriedade particular chamada Bela Vista. Ele nasce num vale onde, de um lado fica a mata nativa e de outro, uma plantação de uvas. Por isso suas águas são límpidas e cristalinas, mas, ao seguir seu leito, vai recebendo afluentes de cidades vizinhas, pertencentes à região de Campinas e Piracicaba, os quais recebem resíduos industriais e dejetos, além do cultivo, em suas margens, da cana e outras culturas, que contribuem para sua poluição e assoreamento do rio.

Capivari participa do Consórcio das bacias Hidrográficas do Piracicaba e Capivari e seus afluentes: Ribeirão Água Choca, Forquilha, do Agostinho ou da Samambaia, Palmeiras (nascente). São Luiz, Santa Cruz (nascente), São Roque e Arroio do Ribeirão e os Córregos São Francisco, Engenho Velho (nascente), do Mombuca, do Bonfim, Bairro Frio, da Posse, Bate Carga (nascente), do Ticiano (nascente), São Roque, do Carmo, do Fonseca e Rio Acima (nascente).

Para tentar recuperar a mata ciliar, o Consórcio mantém um viveiro de mudas. O reflorestamento da mata ciliar em Capivari está sendo feito nos mananciais de abastecimento público (Ribeirões Água Choca e Forquilha) e na Usina Santa Cruz. Também empenhada nesse resgate a Promotoria Pública, através de Ação Pública, vem obrigando os sitiantes a fazerem reflorestamento junto às correntes de água que banham suas propriedades.

 

 

EMPRESAS COM
RESPONSABILIDADE SOCIAL
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