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Movimento Capivari Solidário - 20 anos

 

Dr. Walmor, membro do Capivari Solidário

Entrega do Prêmio Abaporu ao Padre Eugênio - Pronunciamento do Dr. Walmor

Amigos do MCS, Amigos do Padre Eugênio. Senhores e Senhoras.

Estamos reunidos nesta noite, para comemorarmos o vigésimo ano de fundação do Movimento Capivari Solidário.

Ênfases pela efeméride foram dadas pela nossa companheira professora Luci Waldmann,o que fez com inequívoca precisão e clareza.

Reunimo-nos também, para o cumprimento de uma das mais felizes proposituras de nosso Movimento, que é a entrega do prêmio ABAPORU. 

Trata-se de um prêmio “destinado a pessoas ou entidades, que tenham desempenhado relevantes serviços nas áreas de assistência social, educação e promoção humana, dentro ou fora dos limites do município, com reflexo efetivo e direto em beneficio do povo capivariano”. 

Conferimos nesta oportunidade a quinta outorga, tendo sido a primeira para a professora Rosana de Quadros, artista plástica residente em São Paulo, pelo seu trabalho sobre as obras de Tarsila do Amaral. 

A segunda contemplada foi a nossa APAE, que dispensa qualquer comentário. 

A terceira a recebê-lo foi a Dra. Zilda Arnst, universalmente conhecida e que nos deu a honra de vir a Capivari para receber seu premio numa inesquecível tarde, quando também se reuniu com o grupo da Pastoral da Criança por ela fundada. 

A quarta premiada foi a professora Alcinda Proença, que dedicou a vida toda em prol à Educação em Capivari.

Nesta noite, o agraciado será o querido amigo Padre Eugênio Broggio Netto. Desnecessário dizer das qualidades que fizeram com que nosso padre fosse o indicado. 

Em nossa reunião para definirmos o premiado, não houve votação. 

A simples indicação por um dos nossos componentes, fez com que de um modo espontâneo e em uníssono, aplauso unânime aprovou a indicação. 

Não houve necessidade de justificativa pois seu nome por si só se justificou. 

Lembro aqui a frase do filósofo grego Epicteto que disse “ Seguramente Deus escolhe seus servos ao nascerem, ou talvez antes mesmo do nascimento”. 

Padre Eugênio, escolhido por Deus para pregar o Evangelho, também por Deus nos foi enviado. 

Não sabemos por que, “mas às vezes a nossa vida é abençoada por pessoas tão especiais, que nos tornamos mais felizes só porque um dia tivemos a chance de conhecê-la”. 

Assim foi com o querido homenageado. 

Chegou à nossa cidade com humildade, sem ostentação, com sua característica mansidão ao falar, afável, polido e com seu sorriso e olhar suaves e meigos. 

Suas primeiras homilias, como depois todas as outras sempre impregnadas de amor e conhecimento do evangelho e da vida, cativaram a todos: ricos e pobres cultos e incultos, jovens, adultos e crianças. 

Padre Eugênio recebe troféu ApaporuEstas em especial, recebem do padre Eugênio um especial carinho. 

Para elas o padre fala especialmente e elas o ouvem e entendem o que ele diz. 

As manifestações de carinho delas para com ele contagia e emociona a quem assiste.

As palavras proferidas pelo Amigo padre Eugênio em suas homilias, articuladas pela boca, são forjadas pelo coração, e assim atingem de maneira clara e com brilho especial o âmago de todos; tal qual “sal da terra” dá “sabor” às suas prédicas. 

Repetindo as palavras do pensador Raphael Quintas, “as pessoas se tornam especiais pela profundidade em que atingem nossos sentimentos”. 

E os nossos sentimentos foram profundamente atingidos, querido padre, em diversos momentos em que desfrutamos da sua presença. 

Quantas vezes muitos de nós nos apoiamos em seu ombro amigo procurando orientação e conselhos; e sempre os encontramos; sempre pronto a nos apoiar com ajuda espiritual. 

E estas ocasiões fazem-nos lembrar as palavras ditas por Fernando Pessoa: “existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. 

Por assim proceder, Padre Eugênio conquistou um grande número de amigos e fiéis â igreja e fez com que muitos retornassem ao aprisco, como “ovelhas” desgarradas que reencontraram seu rebanho. 

Encontraram em sua pessoa e em suas palavras o que talvez tivessem perdido há algum tempo. 

Tudo em nome da fé que professa: Fé em Deus, em Cristo e no gênero humano. 

E por crer também nos homens a eles se dedicou; persistindo na fé, passou às obras. 

Como nos ensina São Thiago: a fé sem as obras é vã. 

À par do apoio e incentivo às pastorais, quantas empreitadas para melhoria das condições materiais de nossa igreja.

Determinou a construção do Salão Paroquial, prédio que abriga inúmeras salas para reuniões e cursos, bem como o salão de festas, concluída no fim do seu ministério em Capivari, e que foi alvo de entusiasmo e admiração, do senhor, Don Eduardo Koaik, então bispo emérito da nosso jurisdição episcopal, em um encontro que com ele tive em Piracicaba.

Outros melhoramentos materiais foram incorporados como aquisição de terrenos para construção de novas capelas, terreno na Rua Saldanha Marinho para possibilitar saídas de emergência do Ginásio Padre Euzébio etc. 

Por todas estas ações, é admirado e respeitado pelas diversas congregações de outras religiões, clubes de serviço (Rotay, Lyons e Loja Maçônica) com as quais sempre manteve e mantém preciosa relação de amizade. 

Em 2003, a Egrégia Câmara de Vereadores outorgou-lhe o diploma de Cidadão Capivariano consideradas sua profícua atuação como sacerdote e cidadão exemplar.

No ano passado, fomos informados repentinamente, da determinação de sua transferência para Santa Barbara d’Oeste.

A notícia nos abalou e nos entristeceu.

Inúmeros foram os pedidos por entidades, autoridades e pelo povo em geral com abaixo-assinados para que tal mudança fosse postergada. Correspondências foram enviadas até Roma para este fim. Tudo em vão.

O padre foi transferido.

Em sua posse, na Igreja de São Judas Apóstolo em Santa Bárbara, uma grande caravana daqui se deslocou para lá; igreja lotada, para admiração do Bispo Don Fernando Masson, que deve ter concluído: ele, de fato se fez amado pelo povo de Capivari. 

Enquanto estava aqui, encontrávamos com o padre quase todos os dias. 

Agora, não mais.

Os encontros se rarearam. 

A saudade é grande. 

Mas, como nos ensina Coelho Neto,"a casa da saudade chama-se memória; é uma cabana pequenina em um canto do coração"; desses nossos corações que o padre inúmeras vezes nos ensinou: "há que ter uma chave para abri-lo e esta chave fica lá dentro e abre de dentro para fora". 

Mas, apesar da distância física estamos juntos, e, “para estar junto não é preciso estar perto e sim do lado de dentro” como nos ensinou Leonardo Da Vince.

Por final quero lhe dizer, amigo padre Eugênio, em nome do Movimento Capivari Solidário, que “Algumas pessoas a gente conhece; outras; Deus nos apresenta”. Assim foi com o senhor.

Que Deus permita que guardemos os seus conselhos, seus exemplos, seus sonhos e nossa amizade.

Capivari, 24 de Outubro de 2012.

 

Walmor Wal

Membro do Movimento Capivari Solidário

Fonte: Jornal Correio de Capivari, 17 de novembro de 2012.

 

 

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