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O trilho dos pés pelo Caminho do Sol

 

Seta amarela para indicar a rota corretaSeguindo as setas amarelas os peregrinos caminham em uma jornada de reflexão e contemplação, longe do cotidiano.

Geiza Graciano

São 11 dias, 240 quilômetros percorridos a pé de Santana do Parnaíba a Casa de Santiago, situada em Águas de São Pedro. O conhecido trajeto Caminho do Sol é uma versão paulista do caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, uma rota milenar de peregrinação, que atrai amantes de caminhada ou pessoas que querem se distanciar, por alguns dias, da rotina. 

Desde sua criação, em 25 de julho de 2002, quase 11 mil peregrinos já percorreram a rota que conta com participantes de todas as idades, de crianças (acompanhadas pelos pais) a pessoas com 90 anos de idade. Ao longo do ano são formados grupos de oito a 10 pessoas, já nos períodos de férias ou feriados prolongados os grupos são maiores e contam com 10 a 20 peregrinos.

Durante esse período os participantes caminham seguindo as setas amarelas e se hospedam em pousadas simples, sem serviços de hotelaria. Passando por estradas de terra e asfalto, canaviais e igrejas, atravessando as cidades de Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva, Itu, Indaiatuba, Salto, Elias Fausto, Capivari, Mombuca, Saltinho, Piracicaba e São Pedro.

Em Capivari, os caminhantes descansam na Fazenda Milhã. No município se pode perceber também as setas amarelas espalhadas para indicar a rota correta. 

Em Mombuca, a hospedagem ocorre em dois albergues, sendo o primeiro na cidade, em uma residência adaptada, onde são recebidos por uma família e o segundo na zona rural em um bairro chamado Arapongas, quase no limite com Saltinho. “Este é um verdadeiro ‘case’ no universo peregrino, pois se trata de uma escola rural desativada, que foi cedida em comodato ao Instituto Caminho do Sol. Inteiramente reformada, sem nenhum custo para o município, ela não cobra para acolher os peregrinos do Caminho do Sol, sobrevive com os donativos espontâneos que recebe. Oferece o pernoite, almoço, jantar e café da manhã e é atendida por peregrinos e voluntários, que se deslocam de São Paulo, somente para recebê-los”, explicou o idealizador do trajeto, José Palma.

O início

A ideia de criação do trajeto surgiu quando José Palma retornou do Caminho de Santiago, em 1996. A proposta inicial era preparar os caminhantes antes de seguirem rumo a Compostela, pois muitos queFazenda Milhã em Capivari participavam deste caminho não tinham conhecimento sobre a caminhada contemplativa de longa distância em que o preparo emocional é mais importante que o físico. É uma alternativa para os que pretendem realizar a longa jornada espanhola, que leva pouco mais de 30 dias para finalizar os cerca de 800 quilômetros.

A pedra fundamental da Casa de Santiago foi lançada em 2001, na cidade de Águas de São Pedro, aproveitando as características topográficas, o nível de qualidade de vida do município que coincidentemente comemora a data de sua fundação, no dia 25 de julho, com o dia do Apóstolo Santiago.

A Casa de Santiago (local onde termina o Caminho do Sol) abriga hoje a imagem do Apóstolo Tiago, entregue pelos caminhantes em 25 de julho de 2002, quando 94 peregrinos lá chegaram com a imagem. No ano seguinte, o Bispo Don Moacyr Vitti assinou o Decreto promulgando Santiago, Padroeiro da Cidade de Águas de São Pedro.

No Caminho do Sol, antes de iniciar a peregrinação, os participantes acompanham uma palestra e recebem um guia. Aos peregrinos são proporcionados momentos de contato com a natureza, reflexão e introspecção, sendo que os grandes aprendizados são o desprendimento e despojamento material.

“Os depoimentos ao final e os que recebemos depois, temos mais de 1.500 publicados no site, falam muito em fraternidade, descoberta, ou fortalecimento da fé, a maioria fala em sentimentos de amor, simplicidade, acolhimento e fraternidade”, relatou o idealizador do Caminho do Sol, José Palma. 

Livro "Relatos de um cajado" de José Palma

Relatos 

O livro “Relatos de um cajado”, de José Palma, lançado pela LCTE Editora, reúne uma coletânea de artigos sobre a idealização do Caminho do Sol, além de relatos de peregrinos que percorreram o trajeto. A obra conta com um prefácio escrito por Christina Oiticicca, esposa de Paulo Coelho, comentários de Carlos Tramontina e Fernando Rocha e a capa criada pelo cartunista Paulo Caruso.

José Palma tem uma coluna semanal em que relata a sua vida e a dos peregrinos, com fatos pitorescos para mostrar que o caminho não é sofrimento e sim um aprendizado:

“Há mais de dez anos tenho acompanhado os peregrinos tanto na saída, como 11 dias e 240 km depois, quando terminam o Caminho. Vejo com olhos de quem sabe ouvir, as transformações que ocorrem. Muitos chegam timidamente eufóricos, alguns chegam parcialmente, outros – só chega a cabeça, tronco e membros. Fruto das reflexões, no pós caminho há muito para ser digerido. Pensar e repensar como encarar a vida com uma leitura diferente. Saber dosar a intensidade de seus atos, tanto na vida profissional como familiar, não ostentar e viver com simplicidade, saber perdoar, aprender a ouvir, ter humildade para reconhecer seus erros e pedir perdão, valorizar suas qualidades e respeitar seus limites”. (Trecho do artigo: Metamorfose Ambulante de José Palma)

Investimento e informações

Para participar do Caminho do Sol também são necessários alguns investimentos. Entre eles estão: a taxa de inscrição (R$ 93) mais a doação de 5kg de mantimentos (que são entregues as famílias carentes ao longo do caminho), seguro de acidentes pessoais Cia Porto Seguro (R$7,80) e pernoites incluindo almoço, janta e café da manhã (R$ 85/dia). Já o guia impresso Dicas & Informações (R$ 20) e o cajado personalizado Caminho do Sol (R$ 35) são opcionais.

Os interessados podem o obter mais informações no site do Caminho do Sol www.caminhodosol.org e/ou pelo telefone: (11) 2215-1661. No endereço, também se podem encontrar as próximas saídas.

 

Fonte: JCR - Jornal da Cidade Regional, 09 de fevereiro de 2013.

 

 

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