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Desenvolvimento Cultural depende de investimentos e mudança de cultura

Secretário da Cultura de Capivari, Jehoval JuniorSabendo que a cultura regional é desvalorizada pelos grandes polos culturais e o empenho financeiro – verba municipal – destinado a ela não é de longe nem satisfatório, e muito manos se repassa o mínimo para mantê-la fortificada, programas criados em âmbito Estadual buscam fomentar, de forma propensa aos partidários, o incentivo e procriar o interesse das raízes interioranas em cada município, porém o mesmo não acontece com as empresas privadas desses locais, e dificilmente obtém-se a preocupação do Poder Público local para se conservar a história viva, que foca-se em ficar relembrando o que não há mais para viver.

Em busca de ascender o conhecimento e perpetuar o regionalismo de sua história, as empresas privadas de Capivari, Rafard e região deveriam olhar com mais preocupação para a cultura local, para que o que veio e se fixou na vida de um povo, dando origem às suas peculiaridades , costumes e tradições, e até mesmo para o nascimento e expansão de seus negócios.

O poeta e escritor capivariano Amadeu Amaral foi, provavelmente, o primeiro a estudar cientificamente um dialeto regional no Brasil, publicando em 1920, o livro “Dialeto Caipira”, que aborda sobre o modo de falar “caipira”, num tempo em que a linguística ainda estava sendo sistematizada, tendo o seu surgimento na Suíça, com o “Curso de Linguística Geral”, de Ferdinand de Saussure, em 1916. Diante disso,concretiza-se a importância de valorizar a “Cultura Caipira” – em todos os seus âmbitos –, e rever o conceito que os municípios criaram sobre a Cultura.

Não há nessas cidades grupos de estudos, formados por profissionais especializados, para resgatar documentos e papéis que se refiram aos fatos históricos, apenas velhas fotos datadas com uma pobre legenda de vagas lembranças. Também não há a renovação desse setor agregado com as raízes das cidades, que se perdem com os desinteresses políticos e preocupações em atender a demanda de um público momentaneísta, ou seja, que foi criado com a cultura televisiva de um gosto passageiro, e fortemente induzido a gostar do que é apenas uma tendência improdutiva.

O Secretário de Cultura de Capivari, Jehoval Junior, constatou, em poucas palavras, que realmente não há incentivo massivo por parte das empresas privadas de Capivari, e que para este ano os projetos ainda estão sendo organizados, mostrando a fragilidade de se estruturar as atividades nas cidades interioranas. Todos os projetos são de alguma forma interligados ou baseados com a sistemática do MinC (Ministério da Cultura), não havendo autenticidade recreativa na cidade e voltada ao público capivariano, estimulando apenas projetos superficiais, sem continuação do ensino, como parte do desenvolvimento artístico de quem se propõe a aprender. “As empresas ajudam como podem as atividades culturais do município. Os projetos culturais que iremos desenvolver estarão em sintonia com o programa ‘Mais Cultura’, que será apresentado em momento oprtuno”, explicou Jehoval.

De acordo com ele, para o ano de 2013, além das atividades já desmarcadas no calendário oficial do município, e que são de procedimento padrão para todo o ano, apenas três projetos foram realmente desenvolvidos pela secretaria até agora. “Temos o 1º Grafite Toten Arte, o 1º Capivari Clip Rock, oficina de escrita, dentre outros projetos que estão sendo organizados e estruturados”, informou o secretário.

Ao ser questionado por sua maior dificuldade em ser nomeado Secretário da Cultura, Jehoval valorizou o que de fato necessitava naquele momento de posse, que era oferecer ao público um Carnaval recheado de atrações, mesmo sem ter muita verba disponibilizada pela Prefeitura, e estabeleceu esse primeiro contato com o povo de forma que lhe transmitisse confiança no cargo. “Acredito que a maior dificuldade encontrada foi estruturar o carnaval em pouco espaço de tempo e conhecer os mecanismos de gestão para poder aplicar a nossa metodologia de trabalho cultural”, informou.

Para que haja incentivo financeiro, seja do Governo Estadual e/ou Federal é necessário que o município tenha, de forma ativa, o Conselho Municipal de Cultura, porém o esmo foi criado em 18 de outubro de 2009 (denominado como a 1ª Conferência Municipal de Cultura e o fundo Municipal de Cultura também deve estar entrelaçados e formalizados. Estes três formam o Sistema Municipal de Cultura, que deve estar em sintonia com o contexto cultural da cidade, mas no momento não há contexto e nem preservação de patrimônio histórico cultural, nem mesmo, por inconsistências políticas, a preservação de sua identidade.

Principiando do ponto em que o município, urgentemente, precisa resgatar seu povo juntamente com a história e carrega-los para uma espécie de desenvolvimento pluralista, o poder público deve, na sua capacidade administrativa e organizacional, efetivar cursos e capacitar os funcionários públicos desse setores, especializando-os , não somente os diversos professores de oficinas, mas também encarregados de buscarem informações sobre o funcionamento dos programas culturais ofertados em grande demanda, com o ProAC, Petrobras Cultural e outros. “Nossa cultura é fruto de uma miscigenação que proporcionou o que somos hoje. Imigrantes, negros e caipiras formaram essa terra rica em poesia , teatro, pintura, música, dança e demais gêneros artísticos. Valorizar, incentivar e divulgar os talentos locais é uma forma de estarmos antenados com o mundo”, esclareceu Jehoval.

A iniciativa também é de responsabilidade do Poder Legislativo, que deve se atentar a delicada e desestruturada parte cultural em que o município foi deixado depois de infelizes fatos históricos, como no caso de ter debochado e insultado Tarsila do Amaral pelo seu modo de viver, ou no pior dos casos, quando a casta burguesa expulsou Rodrigues de Abreu da cidade, deixando-o morrer a míngua em Bauru, vitimado pela tuberculose.

Estipular, por exemplo, uma Lei que beneficie as Empresas Privadas quando elas retirarem certa porcentagem aos artistas das cidades para a produção de literatura, audiovisual, teatro, música, ou o quer que seja, como em tantas outras hipóteses de incentivo, unificando os Poderes e englobando toda a população, desde o artista independente até um Empresa Multinacional instalada na cidade. “O papel da Secretaria da Cultura é justamente criar políticas públicas voltadas ao enriquecimento cultural da população. A Secretaria da Cultura é a vitrine de nossa cidade. É essa Secretaria que nos representa enquanto origem, enquanto povo. Democratizar a cultura é o papel da Secretaria e é isso que temos feito desde que assumimos esse compromisso”, declarou Jehoval.

Descentralização

A Secretaria da Cultura e a Casa da Cultura, teoricamente, deveriam exercer funções separadas e em prédios distintos, descentralizando suas atividades ,e envolvendo também as partes periféricas da cidade, onde a carência pelo conhecimento é muito maior.

A Casa da Cultura tem como objetivo sustentar culturalmente uma população que geralmente não tem acesso à cultura, e não se envolver diretamente com gestões políticas, mantendo suas atividades independentes e continuadas, dinamizando o potencial de seus alunos. Deve oferecer programas e atividades culturais como: aulas de dança, música, teatro, cinema, literatura e outros, e se localizar justamente onde a população não tenha acesso fácil aos programas culturais, fortalecendo a formação das linguagens artísticas, incentivando à produção cultural nos bairros.

Vinculada à Secretaria Municipal de Cultura, a Casa da cultura deve oferecer para os que frequentam um processo de desenvolvimento cultural de longo prazo com cursos divididos em módulos para as diversas faixa etárias. Além de um aprimoramento cultural e intelectual, esta também deve lutar por uma melhoria da qualidade de vida, não só colocar eventos culturais ao alcance de todos, mas permitir que os cidadãos manifestem suas próprias práticas culturais.

A cultura é essencial para que uma pessoa possa desenvolver qualquer tipo de ação em relações sociais, políticas e profissionais.

Segundo Jehoval, não há interesse de desmembrar a Secretaria de Cultura da Casa da Cultura em Capivari, apenas o estudo de projetos itinerantes para levar aos bairros atividades culturais. “Não existe nenhum projeto para desvincular a Secretaria da Cultura da Casa da Cultura, mesmo porque ela faz parte do aparelhamento cultural da Secretaria. Devemos investir mais na formação do público apto a apreciação e participação de atividades artístico-culturais”, afirmou secretário.

É notória a necessidade de semear na população o interesse por atividades culturais e para que ela seja mais ativa non senário que habita, porém, quando se tenta deixar o público apto a apreciação de qualquer manifestação artística, a arte se torna formalizada e morta, tirando a autenticidade de quem a vê e de quem a fez, padronizando assim potenciais que poderiam ir além. A inserção de todos para com a mais nobre missão de Cultura, que garante o crescimento do Ser Humano em meio à realidade onde vive, é um desafio que requer cuidado e foco, principalmente dos próprios artistas da cidade.

Reformas

A Casa de Cultura de Capivari é praticamente multiuso, e por isso não foi muito bom bem conservada durante o tempo em que abrigou dezenas de atividades, tendo um palco não propício para apresentações teatrais, que serve também para palestras e outros eventos promovidos por diversas instituições.

Em 1868 o Teatro São João foi construído em Capivari, por inciativa particular de alguns nobres Senhores, que mais tarde veio a se transformar no Cine Teatro Íris, mas foi derrubado pela administração pública de 1948/1951. A cidade também foi agraciada com o Teatro Politeama, pelos idos de 1920, mas ao passar do tempo se tornou hoje apenas um prédio comercial no centro da cidade, deixando o cenário cultural ser levado pela poeira do esquecimento.

Questionado sobre a existência de alguma maquete ou novo modelo, ou se realmente a administração atual está pensando em montar uma nova sede para a Secretaria de Cultura e construir em Teatro, o secretário se manteve neutro em seu posicionamento. “O poder público precisa ampliar seu aparelhamento cultural. A construção de um teatro municipal e uma biblioteca seria fundamental para o desenvolvimento cultural de Capivari, além de promovermos as reformas do patrimônio capivariano, como a estação e museu. Em breve será realizado um estudo para saber quais são os terrenos disponíveis , a elaboração de projetos, a captação de recursos e por fim a execução da obra”, finalizou Jehoval.

 

Fonte: JCR – Jornal da Cidade Regional, 29 de março de 2013.

 

 

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