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Diretora da APAE Capivari fala sobre proposta de inclusão de alunos na rede regular de ensino

Rute Berto Siviero, diretora da APAE de CapivariA Meta 4 do PNE (Plano Nacional de Educação) que tramita no Congresso Nacional ter gerado polêmica nas redes sociais e muitas pessoas se declararam contra alegando que provocaria a extinção das APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) devido a provável perda de recursos. O projeto prevê: “Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino”.

Para comentar um pouco sobre a proposta, a reportagem do JCR conversou com a diretora com a diretora da APAE de Capivari, Rute Berto Siviero, que ressaltou que a associação não é contra a inclusão e apoia o intuito do Governo em universalizar o atendimento escolar. Entretanto, os casos precisam ser analisados, pois muitos não apresentam condições mínimas de frequentar uma rede regular de ensino e nestes casos é necessário uma educação especial que é oferecida pelas APAEs. Acompanhe a entrevista e conheça um pouco mais do trabalho da associação:

JCR – Qual a posição e a proposta das APAEs com relação a esta meta?

Rute Berto Siviero – As APAEs são a favor da inclusão de pessoas com deficiência no ensino comum, porém existem casos de crianças que não tem o mínimo de condições de inserção. As APAEs não são contra a inclusão, o que a gente quer é que tenha a escola de educação especial para crianças que não tenham o mínimo de condição de estar no ensino comum.

A nossa APAE tem uma avaliação rigorosa e quando a criança apresenta condição de ser inserida no ensino comum ela é encaminhada e ainda recebe apoio da APAE.

Nós lutamos pela inclusão social, mas deixar uma criança sem uma educação especial se ela não consegue ir para o ensino comum também é uma exclusão. É deixa-la sem escola.

Temos crianças que se alimentam por sonda ou outras que se comunicam somente com olhar, mas elas estão dentro de um lugar onde se lê histórias, canta, faz atividades da maneira que ela consegue, mas não está dentro de casa. Então a nossa luta épara manter a educação especial nesse sentido.

JCR – Qual atendimento a APAE dá para os que não vão à escola comum?

Rute Berto Siviero – Depende muito do caso. Nós buscamos trabalhar mais a parte de desenvolvimento geral da criança do que a alfabetização. Aqui eles passam um período de cinco horas em que tem educação física, informática e toda parte da educação básica.

JCR – Atualmente, quantos alunos a APAE de Capivari atende?

Rute Berto Siviero – Hoje, temos por volta de 80 alunos que frequentam a escolaridade e ao total atendemos 160 pessoas.

JCR – Qual a faixa etária ?

Rute Berto Siviero – De zero anos ao adulto. Inclusive hoje o mais velho tem em torno de 50 anos.

JCR – Qual o trabalho realizado com os que já passaram da fase escolar?

Rute Berto Siviero – Conforme eles vão envelhecendo vamos inserindo-os em novos programas. Temos grupos de convivência para que eles venham algumas vezes na semana.

Na verdade esses adultos estão com a gente há tempos porque não existia a lei da inclusão, então acabaram ficando. Mas nós temos, há 10 anos o projeto de inserção no mercado de trabalho. Não são tantos, mas tem alguns que já estão há tempos trabalhando. Nós temos sete inseridos no mercado de trabalho e estamos lutando para inserir mais.

Existe uma cota nas empresas com deficiência, mas nós trabalhamos com pessoas com deficiência intelectual e múltipla. As empresas dão preferência para as pessoas com deficiência auditiva, visual, ou seja, deficiências motoras e não intelectual. Mas os que estão no mercado de trabalho se adaptaram muito bem e apresentaram um desenvolvimento muito grande.

Quero deixar muito claro que nós queremos a inclusão. Nós não queremos deixa-los só aqui dentro. Nós também oferecemos apoio às empresas que recebem um de nossos jovens realizamos um acompanhamento.

JCR – A APAE Capivari conta com quantos funcionários? E quais os profissionais que trabalham atualmente?

Rute Berto Siviero – Hoje são quarenta funcionários. Nós temos psicóloga clínica e escolar, professores, pedagogos, terapeuta ocupacional, nutricionista, fonoaudióloga, fisioterapeuta motora, respiratória e aquática e assistente social.

JCR – Como funciona a APAE na questão financeira?

Rute Berto Siviero – Nós recebemos verba do Governo e temos convênio com a Prefeitura de Capivari e de cidades vizinhas que não tem APAE, como: Monte Mor, Mombuca, Rafard e Elias Fausto. A Prefeitura de Capivari também sede alguns funcionários.

Para complementar essa renda nós fazemos projetos emendas parlamentares e telemarketing para doações. Além disso, a diretoria elabora eventos que conta com o apoio de vários parceiros da cidade.

Nós também temos um bazar semanal às terças-feiras, das 13h às 16h30, aqui mesmo na APAE.

JCR – Para finalizar...

Rute Berto Siviero – Quero ressaltar que a APAE está aberta para ajudar na inclusão das pessoas, seja no lazer, na escola ou no trabalho porque,infelizmente, viveu-se uma época em que eles eram muito excluídos.

Hoje em dia há uma aceitação maior, mais ainda existe preconceito. Nenhum pai pede para ter filho deficiente, quando acontece é difícil para a família. Mas as pessoas se esquecem que isso pode acontecer com qualquer um de nós, tanto ter um filho com deficiência. Temos que mudar esse olhar , não ter medo de acolher e as escolas tem que se abir para esta inclusão que está começando a acontecer.

Deixo aberto para as pessoas que queiram conhecer a APAE e os convido a participarem dos eventos.


A APAE Capivari foi instituída em a 1979 e começou a funcionar em 1981. A associação atende pessoas com deficiência intelectual e múltipla de segunda a sexta-feira, na Rua Oswaldo Costa, nº 75, Morada do Sol. Os telefone para contato são os: (19) 3491 – 6088 e 9431-7132.

 

Fonte: JCR - Jornal da Cidade Regional, 31 de agosto de 2013.

 

 

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