HOMERO DANTAS (EDUARDO MALUF)

Eduardo Maluf, que com o pseudônimo Homero Dantas subscrevia seus trabalhos literários, nasceu em Capivari, SP, no dia 3 de fevereiro de 1922 e faleceu, na mesma cidade, no dia 7 de agosto de 1988.

Era filho de Elias Bichara Maluf e de Chia Miguel M. Maluf. Foi correspondente e agente do jornal O Estado de S. Paulo e diretor do Museu Histórico e Pedagógico Dr. Cesário Motta, por mais de 30 anos, em ambas atividades.

Historiador, poeta e jornalista, manteve intensa atividade artística e literária, colaborando, inclusive, com diversos jornais da capital e do interior. Foi redator do jornal “Correio de Capivari”. Dotado de vasto conhecimento, manteve, também, estreito contato com intelectuais da sua época e estando sempre à frente nas atividades culturais de Capivari.

Deixou três livros inéditos, dos quais um já foi publicado: Salomé e outros versos (editado pelo Movimento Capivari Solidário em 1997), Verão de amor (poesias) e A beleza da arte (publicado em 2011).

Para uma melhor análise desta grande personalidade de nossa Capivari, transcrevemos, aqui, um questionário respondido pelo autor. As respostas que lhe foram solicitadas pelo prof. Dr. José Roberto do Amaral Lapa, emérito e saudoso intelectual do Centro de Memória da Unicamp, foram inseridas na página “Mansão Literária”, do Diário do Povo de Campinas, edição de 29 de março de 1953, com o título de “Corpo e alma de um poeta”:

– Nome: HOMERO DANTAS

– Nascimento: Capivari, SP, em 03.02.1922.

– Estado civil: solteiro – Peso: 66 quilos – Altura: 1,64 m.

– Usa óculos.

– Gosta de qualquer bebida.

– Amigos: talvez os tenha. Diz talvez, para não dizer “não”, porque até hoje ninguém, ou melhor, nenhum dos chamados amigos lhe fez coisíssima alguma de bom nem o amparou em algo na vida atribulada de pobre que leva. Alguns deles, que idolatrava, mostraram-se para consigo, em troca de muitos bens que lhes fez, de uma vileza, ingratidão e traição únicas. Vários deles dispondo de inegável prestígio político, podiam, dessa maneira, derramar facilmente, sobre sua pessoa, ao menos um tiquinho da imensa cornucópia de favores que eles derramam prodigamente, sem necessidade e até sem pedidos, sobre a cabeça de afortunados, espertalhões e velhacos.

– Não pratica esportes.

– O primeiro livro que leu foi uma cartilha.

– Escreve a lápis ou a tinta, depois passa à máquina para obter melhor efeito.

– Deita após as 22 horas e levanta-se a hora necessária.

– Não fuma.

– Quase não viaja devido a deficiência visual. Gosta de automóvel.

– Gosta de tudo que escreve.

– Gosta muito de cinema.

– Sua religião é a universal de Jesus: a da bondade e da caridade.

– É autodidata.

– Gostaria de ter escrito: A vida de Jesus, de Plínio Salgado, Os sertões, de Euclides da Cunha e O homem e a morte, de Menotti Del Picchia.

– Preferência: poetas antigos: Amadeu Amaral, Rodrigues de Abreu, Olavo Bilac e Martins Fontes. Modernos: Cassiano Ricardo, Domingos Carvalho da Silva e Paulo César da Silva. Romancistas: José Lins do Rego, Jorge Amado, Léo Vaz. Ensaístas: Carlos Burlamaqui Kopke.

– Não fala línguas estrangeiras.

– O único medo que tem é da vida.

– Na música gosta de: Carlos Gomes, Beethoven, Schubert, Verdi e outros.

– Mercê da propaganda os Estados Unidos é o país estrangeiro cuja literatura está mais em evidência.

– Reconhece muitos predicados e muitos defeitos na literatura brasileira, mas não quer enumerá-los.

 

Fonte: notas introdutórias do organizado J. R. Guedes de Oliveira, na obra A beleza da arte – artigos e crônicas de Homero Dantas (Eduardo Maluf), publicada em Capivari no ano de 2011.